Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Location: Porto Alegre, RS, Brazil

Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Thursday, July 14, 2005

Só Saber Procurar


Juro que não entendo aquele velho papo de que todo escritor, em um momento ou outro, enfrenta uma crise de criatividade. Tudo bem, em filmes ou livros isso é até aceitável, já que o próprio bloqueio pode ser o ponto de partida para uma história legal, mas é difícil de acreditar que isso aconteça na vida real.

Isso porque, mesmo que o cara esteja com problemas em criar um enredo e personagens do zero (se é que isso acontece, já que qualquer história sempre parte de alguma inspiração), basta uma visita a jornais, revistas ou à internet para descobrir tramas e situações tão sensacionais que, se alguém nos contasse sobre elas, diríamos que certamente são produtos da mente fértil de algum escritor.

Vou oferecer ao leitor alguns exemplos da inesgotável fonte de inspiração que é o ser humano. Na Nigéria, um homem com a bexiga estourando parou seu carro na beira da estrada. Desesperado, saiu do automóvel e começou a mijar. Naquele momento de prazer, uma ensandecida vaca partiu em direção ao indefeso cidadão e simplesmente o atacou por trás, assassinando-o. Mas a história do psicótico animal não acaba aí. Sem saber quem era o dono da vaca, as autoridades nigerianas fizeram o óbvio: prenderam a criminosa em uma das celas da delegacia local.

Outra: em uma cidade dos Estados Unidos, uma senhora de 91 anos saía do supermercado quando um homem lhe abordou e disse para ela lhe passar a bolsa. Como estava sem seu aparelho de surdez, a senhora achou que o rapaz queria tirar seu pulso (em inglês, bolsa é purse e pulso é pulse) e começou a bater nele com a bolsa até ele desistir.

Duas histórias reais e que certamente poderiam ser o início de alguma obra de ficção. Mas, para quem prefere avaliar até que ponto a burrice humana é capaz de chegar, recomendo uma passada no site www.darwinawards.com. Ali fica bem claro, logo no início, o que são os “Prêmios Darwin”: uma forma de homenagear aquelas pessoas que deixaram o mundo mais evoluído ao encontrarem uma forma de eliminarem a si mesmas da face da Terra.

O grande vencedor – póstumo, é claro – de 2003 foi um imbecil que assaltava um banco. Após ter atirado uma vez e ver que a arma não funcionou, ele olhou para dentro do cano para ver o que estava errado. Para testar, apertou o gatilho novamente, partindo pro outro mundo e garantindo o troféu Darwin pela sua estupenda inteligência.

Outro agraciado foi um cidadão que, desesperado por uma bebida, decidiu invadir uma fábrica de cervejas. Para entrar no local, pegou um bloco de cimento e jogou na janela da fábrica. O que ele não esperava é que o objeto batesse no vidro e, sem quebrá-lo, voltasse em sua direção, espatifando sua cabeça.

Pode parecer incrível, mas essas histórias que narrei aqui realmente aconteceram. E, pelo que o leitor pôde perceber, essas foram apenas situações idiotas e divertidas. Algumas das melhores histórias e obras saem do comum, do ordinário, de nada mais do que uma cuidadosa observação do ser humano e de suas relações com os outros e com a sociedade. Somos, todos nós, criaturas fascinantes e misteriosas, fontes inesgotáveis de inspiração para obras de qualquer espécie.

Bloqueio criativo? Chego à conclusão de que não existe. O que pode ocorrer é a dificuldade em optar por uma das milhões de histórias que acontecem nesse planeta todos os dias, todas reveladoras, de uma forma ou outra, da natureza humana. Talvez a imensa variedade seja o grande problema. Mas elas estão aí. É só saber escolher.

1 Comments:

Anonymous Gabriel Silveira said...

E saber contá-las. Este é o nosso mérito.

9:15 AM  

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