Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Location: Porto Alegre, RS, Brazil

Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Wednesday, September 13, 2006

Fogo Inimigo


Quando deu por si, um tiro passou a apenas alguns centímetros de sua cabeça. Ronaldo, mais por instinto do que por razão, procurou abrigo atrás da primeira árvore que viu. Tudo começou rápido demais e, olhando à sua volta, percebeu que já tinha perdido dois amigos, atingidos pelos disparos adversários.

De nada adiantava ficar lamentando. Ronaldo sabia que era preciso seguir em frente, pois só assim conseguiria evitar que seu destino fosse igual. Conferiu a arma, respirou fundo e observou o posicionamento dos companheiros. Em meio a todo o barulho, gritou para Joca, que estava por perto:

- Cubra-me que vou avançar!

Joca respondeu com a mão direita, fazendo sinal de positivo. Empunhando a arma com firmeza, Ronaldo saiu pela esquerda, apertando o gatilho e mirando na direção de onde vinha o fogo inimigo. Não conseguiu acertar ninguém, mas também escapou ileso, jogando-se em um buraco no chão onde encontrou seu companheiro Adriano.

- Como está a situação? – perguntou para Adriano.

- Nada fácil. Já perdemos vários.

- Quem?

- O Ivan acabou levar um tiro na cabeça. Bem do meu lado. Quase foi eu – disse Adriano, nervoso.

- Que merda. E o que fazemos?

- Temos que avançar, Ronaldo. Não podemos ficar parados aqui por muito tempo. O Joca já está ali. Grita pra ele nos dar cobertura. Tem um deles na sua diagonal que foi quem acertou Ivan. Você cuida dele que eu cuido do lado de cá.

Ronaldo gritou para Joca dar cobertura. Contou até três e saiu pela direita, disparando na direção do inimigo que Adriano comentara. Pelo quarto ou quinto tiro, viu que acertou o oponente. Assim que percebeu isso, rolou pelo chão, novamente em busca de abrigo.

Enquanto se protegia, pôde enxergar Adriano sendo atingido, primeiro no braço, depois no corpo. Olhou em volta e não viu mais ninguém em pé. Nem Joca estava mais ao seu lado. Ronaldo deu-se conta de que estava sozinho contra os inimigos. E, ao menos que fosse o Rambo, estava perdido.

Mas não iria desistir. Iria acreditar no milagre.

O som das armas havia cessado. Cientes de que Ronado estava sozinho, os inimigos esperavam que ele desse o primeiro movimento. Mas Ronaldo já armara sua estratégia. Estava disposto a vencê-los na paciência. Não faria nada até que eles fizessem.

Seu plano durou poucos minutos. Um dos inimigos passou correndo por seu lado. Ronaldo se assustou, atirando na direção dele. Acertou três tiros. No entanto, o movimento que fez acabou deixando-o na linha de fogo inimiga.

A rajada foram certeiros. Um atingiu Ronaldo no peito e outro na cabeça. Nenhum dos dois doeu.

Mas as bolinhas estouraram e ele estava fora do jogo. Enquanto via a equipe adversária comemorar a vitória, pensava na sua sorte.

Pelo menos, a guerra que participava não passava de uma brincadeira.


1 Comments:

Anonymous isa fonseca said...

desculpe, gosto mais de você escolhendo e comentando os filmes... Abraço! (Coloquei um recadinho lá embaixo, sobre Três Enterros, achei que era tudo numa página só, desculpe...)... Se quiser aparecer na minha página da web, fique à vontade, será um prazer! :.)

2:35 PM  

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