Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Location: Porto Alegre, RS, Brazil

Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Tuesday, August 01, 2006

Rivais - Grêmio e Inter

Tem circulado pela internet um texto, de autor desconhecido, sobre os acontecimentos do Grenal de domingo. É como se fosse uma carta enviada pelo clube Internacional ao clube Grêmio. Produzi uma resposta para este texto, falando como se fosse o Grêmio. Aqui publico os dois. Primeiro, o do Inter, entitulado "Tenho pena de ti, meu rival" e, logo abaixo, a minha resposta, com o nome de "Pena por quê?". Confiram.
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Tenho pena de ti, meu rival

Na memória, ainda trago viva a lembrança dolorosa de tua época de supremacia. Consternado em meu canto, assisti tua bandeira subir em mastros altos, puxando consigo nosso pendão gaúcho. Louvável. Admito. Porém, não posso negar que nunca me foi agradável o teu sucesso. Me incomodava de sobremaneira.

Enquanto colhia teus louros, eu contabilizava tropeços. Foi difícil. Mas minha torcida me ajudou. De buraco em buraco, insatisfeita ao extremo, minha gente unia forças e me fazia reerguer. Confesso que, sem eles, seria impossível. Mas eles são meus seguidores. E nada nem ninguém nunca nos separou. Nem eu mesmo sei o que lhes faz me colocar num patamar acima do divino. De me considerarem uma força suprema erguida às margens do Guaíba. Muitos me listam como prioridade máxima de suas vidas. À frente de suas famílias, à frente de sua saúde. Acordam e dormem pensando em mim. Orgulhosos, ostentam meu manto pelos pagos do mundo todo. É por eles que eu ainda existo. É pra eles que eu fui criado e serei eterno. Sou a centelha rubra dentro de cada coração. Sou o S, o C e o I entrelaçados sobre um vermelho de amor infinito.

Assim, sempre levantei minha cabeça. Enxuguei as lágrimas. Lambi minhas feridas. E segui meu caminho. Como o que não mata fortalece, hoje, sou gigante novamente.

E tu, meu rival? O que é feito de ti?

Tu, co-irmão, é o espelho de tua torcida atordoada. É o duplo de tua revoltada nação. Teus filhos renegam a pátria onde nasceste e querem se bandear pro lado de lá do rio. Esquecem nossa alma gaudéria e pedem emprestada a de outrem. Abandonaram nossa língua e entoam cantos que teus simplórios guerreiros não conseguem compreender. Historicamente mais abastados, dispensam suas posses para inutilmente atravancarem meu caminho. Mas sou irmão do poeta, meu rival. Eu, passarinho.

Nesse domingo, teu séquito delirou poder profanar meu templo. Acéfalos, se viram inundados por uma nuvem negra que os sufocava a alma. Uma fumaça de ódio e rancor, criada pela sua própria boçalidade. Eles desconhecem que minha morada foi erguida em suor e paixão. Meu povo me deu uma fortaleza pronta para cada guerra que o tempo me trouxe e ainda trará. Minha força não ven desse mundo, rival. Tua inveja pueril nada pode contra ela.

É hora de rever teus conceitos, velho rival. Note que para falar comigo, hoje, tu levantas a cabeça. Deve te incomodar, não? Eu imagino. A raiva e a inconformidade que vi de teus filhos deixou isso ainda mais cristalino. Te dou um conselho de co-irmão: esquece de mim. Olha para o teu umbigo. Saíste há pouco do inferno e ainda patinas num umbral sujo e lamacento. Tua casa é tão velha e inóspita quanto a tua soberba secular. Te olha no espelho, meu rival. Onde estão o branco e o azul? Eu só vejo o negro. Lembra do teu passado. Já foste grande como hoje eu sou.

Tenho pena de ti, meu rival...
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Pena por quê?

"Já foste grande como hoje eu sou."

Querido irmão, acredito que as tuas últimas palavras sejam a melhor forma de iniciar essa resposta, à qual, acredito, tenho direito. Já fui grande, sim. Admito. Na verdade, já fui o maior de todos. Porém, és isto hoje? Realmente acreditas que atualmente és do mesmo tamanho que já fui?

Falas em soberba, acrescentando ainda o adjetivo secular. Mas, fico preso em uma indagação: a soberba está de que lado agora? Todo esse orgulho inflado no peito dos vermelhos, o queixo erguido como não o faziam há mais de 25 anos, qual a razão disso? O que ganhaste, rival? Que título deste aos teus para que agissem dessa forma, como se fossem, como tu mesmo dizes, "grandes"?

Ah, é verdade. Agora lembro-me. Foram campeões morais do Campeonato Brasileiro. Um título com o qual sonhavam desde o longínquo ano de 1979. Basta verificar qualquer dado histórico sobre o nosso torneio nacional. Está lá: "Campeão: Corinthians". Opa, algo errado aí. Nem sinal do teu título moral, rival.

Título moral. O que mais me dói é saber que meu rival satisfaz-se com isso. Que os seguidores que te consideram “uma força suprema erguida às margens do Guaíba” comemoraram esta “conquista” como se ela realmente existisse. Naquele dia, não consegui nem realizar nossas costumeiras provocações e flautas. Tive pena de ti e dos teus, pois vi como deve ser difícil ficar tanto tempo sem comemorar. Lamentei, cheio de pesar, a celebração daquele título ilusório.

Mas então penso melhor e vejo que a afirmação que abre essa meu texto não poderia estar mais longe da verdade. Tu não és grande nem nunca o foi. Estás em um bom momento, indiscutivelmente, mas isso faz de ti um grande? Lembra-te do São Caetano? Por uns três anos, chegou em quase todas as finais de campeonato. Isso fez dele um clube grande?

A conclusão a que chego analisando os fatos é a de que, ao contrário do que pensas, és pequeno. Muito pequeno. Que tudo não passa de uma ilusão de grandeza. És Davi, perto do Golias aqui. Pois se hoje pode me vencer (o que ainda não acontece, vide a batalha do dia 9 de abril em teu “templo”), querer comparar sua grandeza com a minha chega a ser algo risível.

Este inconformismo por sua parte é bom, sem dúvida. Se aceitasse sua posição de segundo do Rio Grande eternamente, jamais sairia daí. O que não pode é afirmar ser maior do que aquele a quem copia desde sempre.

Acredito que lembras, não? Exibimos nossa bela flâmula ao vento, no topo daquele mastro imponente, e vieste fazer igual. Sem a mesma beleza de nossas cores, claro. Temos os dizeres “Campeão do Mundo”, que dispensam justificativas, sobre nosso estádio. Pintaste em teu estádio o “Campeão do Mundo” também. Mas com o acréscimo embaraçoso do “Sub-15”. Apenas lamento essa sua atitude, pois rebaixaste-te ainda mais.

E, claro, a torcida. Meus seguidores que tanto criticaste por buscar inspiração no além-rio têm sido imitados também em tuas dependências. Que moral tens para falar sobre isso? Mas seguir meus passos é a solução para ti. Os pequenos sempre se espelharam nos grandes. E essa é a tua maldição, essa é a tua sina. Este é o teu castigo por não ter a luz e a hombridade para ser grande. Pelo menos não do meu tamanho.

Dizes que tua torcida sempre o ajudou, nos (longos e que, não te enganas, duram até hoje) anos sem conquistas. O que queres dizer com isso? Queres dizer que meus apóstolos não o fizeram? Pois onde estiveste ano passado? Quando eu não conseguia caminhar, eles me carregaram. Quando eu não conseguia falar, eles me deram voz. E eu recompensei-os com aquela conquista colossal em finais de novembro passado, que tornou-se notícia em todo o mundo e na qual exibi, não apenas para ti, mas para todos, a verdadeira natureza de quem é monumental.

Mas, tudo bem. Não venho justificar a ação de meus seguidores em tua casa, que, aliás, apenas é um templo na tua visão. Ser grande é saber ser humilde. É saber pedir desculpas. E peço desculpas pela atitude desta minoria da minha torcida.

Sim, minoria. Por isso, da mesma forma, repreendo-te por querer generalizar a ação de uns poucos como se fosse de praxe dos meus seguidores. Sabes, por me acompanhar há quase um século, que os atos vistos no domingo são delírios de uma ínfima parte de meus torcedores, se é que podem ser chamados assim. Peço desculpas pelo que fizeram, mas espero também suas desculpas por tentar macular a imagem inefável de minha fabulosa torcida ao jamais ressaltar o fato de que aquilo foi realizado, apenas, por poucas mentes perturbadas.

E se achas que me incomodo com teu momento atual, querido rival, estás enganado. Por que haveria de me incomodar se nada aconteceu? És, atualmente, aquele jogador que sabe brincar com a bola, mas não faz gol. E, mesmo que esse gol aconteça, não ficarei incomodado. Lembre-se sempre de que, segundo as palavras do general Yamamoto, moras ao lado de “um gigante adormecido”. Que pode acordar a qualquer momento.

Portanto, pena por quê? Não tenhas pena. Tenhas respeito. E, sempre, um pouco de medo.

6 Comments:

Anonymous Tuca said...

Ai A-D-O-R-E-I!!!!!
Sem comentários, somos campeões, e tive a sorte de nascer no ano do título!!!
bjao

1:33 PM  
Blogger *Ci* said...

Mazahhhh guri!! Falou muito bem!!

E é de revoltar mesmo aquele "somos grandes"... onde?? Ser vice a vida toda tb é ser grande?? Hahahahhahahahhaaa

Bjão

9:26 AM  
Anonymous Anonymous said...

ODE À ORDEM (texto não apócrifo, assinaturas no pé)

Irmãos gremistas. Todos temos razão. Eis algumas mal escritas linhas que o passar dos tempos irá julgar. Está muito embaçada a lente que se volta ao passado. Para alimentar memórias não enriquecidas pelo pulsar da história, é diplomaticamente deplorável remeter para o esquecimento o período do Rolo Compressor que bebeu em todas as taças a ele oferecidas e também a representação do time escarlate envergando a camisa amarela do Brasil numa Olimpíada. No reload aparece o GreNal de inauguração do Estádio Olímpico quando o Nal engavetou 4 prazeirosas bolas, ainda de tento, na urna do glorioso coirmão.Neste meio tempo um octa campeonato. Respeitar o adversário é reconhecer suas vitórias como as duas viagens ao Japão. O hoje alquebrado, mais quebrado do que al, irmão da Azenha teve glórias fortuitas que se iniciaram a partir do momento que levaram ao poder alguns beligerantes diretores Posteriormente desenvolveu-se a Era Tricolor dos Brucutús em que a violência imperava em campo. É da memorável e plena de taças história tricolor um GreNal em que o técnico que chegou à seleção brasileira "sugeriu" aos seus jogadores que na primeira jogada na área colorada teriam que quebrar o zagueiro Pinga que, na época estava cotado para a seleção brasileira. Era craque. Eis que se não quando o ponteiro direito Fernando (que após alguns anos confessou este fato) investiu sobre o zagueiro Pinga e quebrou sua perna, inutilizando-o para o futebol. Anos passaram e o mesmo técnico foi flagrado por microfones dandos instruções de violência aos seus jogadores palmeirenses. Começou lá a memorável arrancada de violência dos coirmãos da Azenha que levou a aguerrida equipe azul a Tóquio. A violência campeou nos campos até que a Fifa, alguns anos atrás, determinou extremo rigor aos juízes para coibir atos criminosos de agressão física, testemunhadas silentemente pelas emolduradas taçase faixas de glória da sala dos Campeões. Mais um registro da história recente: a partir daquela determinação da Fifa começaram a escassear títulos na primeira divisão para os sempre extremamente egocêntricos tricolores e a morada Olímpica foi afundando em grandes falcatruas de presidentes e diretores, dívidas de Homero com jogadores e fornecedors que nem os Deuses do Olímpico conseguirão sanar. E qual a vingança para os seus próprios males? Arrasar com a casa organizada dos seus coirmãos juventudinos, catarinenses e os do "aterro" na beira do Guaíba. Lamenta-se muito nas confortáveis e amplas acomodações do Gigante Colorado que os consagrados campeões mundiais de um jogo só não queiram dividir suas glórias com o sucesso vermelho mas continuar sua senda de vitórias na segunda divisão e na destruição dos estádios de seus adversários.

Ass. : Teté, Tesourinha, Falcão, Valdomiro, Manga, Dunga, Taffarel...............

PS - Estes e muito outros certamente aprovariam finais de Libertadores em Porto Alegre uma no Beira Rio e outra no Olímpico.
Ass.: Brito

12:18 PM  
Anonymous Lelli Wiest said...

Que lástima Brito,
que te pões a cuspir palavras insesatas, principalmente quando sugeres que nós fomos "consagrados campeões mundiais de um jogo só". Qual es tua intenção ao diminuir um título de inigualável grandeza? Sabes tu o que é ser campeão mundial de um jogo só? Hoje (08.09.06), te peço, se ainda não o fizeste, para ler o texto aqui também exposto "Segundo", e aproveito para te perguntar, é mais honroso ser campeão mundial de dois jogos (só)?

11:22 PM  
Anonymous Ricardo said...

Jamais irei me referir à escória da humanidade como "irmãos". Time de bandidos, ladrões, picaretas, marginais e pernas-de-pau. Vocês são a vergonha que o futebol quer esquecer. Meros queimadores de fumo e banheiros. Fiquem em sua insignificância. Morram juntos com deputados obscuros de negócios idem. Morram.

4:15 PM  
Blogger Éverton said...

"Ai A-D-O-R-E-I!!!!!" é o que dizem os pobres gremistas que hoje ( 14 de abril de 2009 ) ainda crêem ser os maiores do rio grande. Lástima. Teu time és a vergonha do futebol brasilerio por ser o time da PRIMEIRA TORCIDA GAY DO BRASIL. (coligay). Sempre foram, os mais racistas, os mais marginais, os mais picaretas, os mais ladrões. Sempre serão. eu Éverton Marion, 16 anos, morador de Capão da Canoa (e-mail: evertonrbk@hotmail.com) sinto vergonha de ter que dividir um território tão honroso quanto o estado que tem como cores o verde, o amarelo e o vermelho em seu manto, com o gremio, que pode ser chamado também de: time que envergonha o RS, piada do sul, time dos homosexuais, aquele timico que ganho um mundial lá em 83 onde nem celular existia-tendo disputado apenas um jogo contra um time da alemanha, time que hoje habita um minimo lugar na historia alemã- time que nao seria time se nao tivesse o apóio de torcedores ilustres (gerdau). Time, será que pode ser chamada de time? Que piada. Piada no brasil inteiro com sua AVALANCHE. Onde suas bibas se encocham enquanto saltitam comemorando os raros momentos de alegria gay que seu time de gays proporciona, ao seus torceodres gays. Dizem ainda que somos pequenos. PEQUENOS? Somos campeões de tudo! De 2006 até hoje, conquistamos: Libertadores(vencendo o São Paulo), Mundial de Clubes FIFA (derrotando Al Ahli e Barcelona na final), Dubai Cup (..Stuttgart e Internazionale), Recopa, Sulamericana, Gauchão 2008, e concerteza o de 2009. Entramos em qualquer competição como favoritos, seja competição nacional e internacional(depois da conquista da triplice coroa). Grenais, vocês, gremistas, não sabem oque é vencer a muito tempo, pois oque voces realmente sabem é queimar banheiros. Jogos da seleção, nunca tiveram em seu miserável estádio. Somos o único time do RS a ter lugar reservado na copa do mundo de 2016 no Brasil. Nosso centenário foi comentado no mundo inteiro. Nosso time é o melhor do Brasil. Sim. Indiscutivelmente. Poderia continuar a detalhar os fatos que nos tornam GRANDES, maiores que vocês. Mas não quero continuar perdendo meu tempo, nessa discução que vai durar para sempre, e que sempre, sempre sairemos melhores, somos o número 1 do Sul do Brasil, e que sá do Brasil inteiro, oque acredito que seje verdade. Temos 100 anos de 1ª divisão. Nunca, jamais disputamos qualquer 2ª divisão de qualquer competição. Temos a torcida mais participativa, mais apaixonada pelas cores do nosso manto, sempre trazemos o vermelho conosco, nada vai separar a torcida do time, somos campeões de tudo, temos titulos que times do Brasil nem sonham conquistar. SOMOS O ORGULHO DE BRASIL.

10:31 AM  

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