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Apesar de fã dos textos de Gabriel García Márquez, jamais li
O Amor nos Tempos do Cólera, uma de suas mais cultuadas obras. Ainda assim, tenho absoluta certeza de que o livro do Nobelizado colombiano é infinitamente melhor que a adaptação cinematográfica dirigida por Mike Newell. A abordagem superficial do roteiro e da direção fazem de
O Amor nos Tempos do Cólera uma insuportável lenga-lenga de mais de duas horas, onde a história de amor e sacrifício do protagonista jamais encontra qualquer ressonância no espectador. A identificação com os personagens é nula, pela construção estereotipada e pelo fato destes tomarem atitudes sem o menor sentido, como a recusa de Fermina a ficar com Florentino após anos de cartas apaixonadas. Enquanto isso, as atuações são caricatas (inclusive Javier Bardem e Fernanda Montenegro) e os intérpretes jamais transformam seus personagens em pessoas reais – a falta de química entre eles também contribui para isso. De quebra, a mão pesada de Newell dá o tom errado de diversas cenas, com momentos embaraçosos de humor e a tentativa de emocionar de qualquer forma.
O Amor nos Tempos do Cólera é tecnicamente primoroso – fotografia e direção de arte, especialmente –, mas falha monumentalmente quando se trata de narrativa e despertar sentimentos genuínos. García Márquez merecia coisa melhor.
Nota: 4.0
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