Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Tuesday, December 13, 2005

Dando nome aos bebês


Márcia estava grávida de dois meses. Era um ocioso domingo à tarde quando decidiu conversar com Luciano sobre o assunto que a incomodava desde o início da gravidez:

- Querido, não acha que está na hora de a gente começar a pensar no nome do bebê?

- Claro. Depois do jogo.

- Não, depois do jogo, não. Sempre tem um jogo na maldita TV.

- Não tenho culpa, Márcia. Não sou eu quem faço a grade de programação.

- Esquece o jogo por enquanto, Luciano. Acho que está na hora de começarmos a falar nisso.

- Eu acho que ainda é cedo, Márcia. Nem sabemos o sexo do bebê.

- Que diferença isso faz?

- Toda, ora. Ou você quer ter uma filha com o nome de Rogério?

- Não daria o nome de Rogério nem se fosse menino.

- Foi uma suposição, Márcia. O que quero dizer é que não adianta perder tempo pensando nisso agora. Vamos deixar para quando soubermos se é macho ou fêmea. Esta é uma escolha que deve ser feita com muito cuidado.
- Tudo bem.


Márcia estava grávida de seis meses. Era um ocioso domingo à tarde quando decidiu conversar com Luciano sobre o assunto que a incomodava desde o início da gravidez.

- Luciano, já pensou em um nome pro nosso bebê?

- Não, ainda não. Por quê?

- Acho que já está na hora da gente falar sobre isso.

- Agora?

- Sim, qual o problema?

- Agora está passando o jogo.

- Sempre está passando jogo.

- Sempre que você vem falar comigo sobre esse assunto.

- E quando você quer falar sobre isso?

- Daqui a três meses.

- Três meses, Luciano!? Daqui a três meses o bebê nasce!

- Sim, aí decidimos.

- Não quero que meu filho nasça anônimo, Luciano!

- Ele nem vai saber.

- Mas eu vou. Não chamar ele de Fulaninho quando a enfermeira colocar a criança no meu colo!

- Quer chamar de quê?

- Não sei, Luciano! É isso que quero decidir contigo!

- Não acha cedo, Márcia? Muita coisa pode acontecer em três meses. Guerras iniciaram e terminaram em três meses. O que a gente pensa hoje pode não ser o que vamos estar pensando daqui a 90 dias. Esta é uma escolha que deve ser feita com muito cuidado.

- E daí, Luciano?

- Daí, Márcia, que acho que deveríamos pensar nisso quando a data estiver mais próxima. Sabe que minha mente funciona melhor quando o prazo aperta.

- Você quem sabe, Luciano.



Márcia estava grávida de nove meses. Era um ocioso domingo à tarde quando decidiu conversar com Luciano sobre o assunto que a incomodava desde o início da gravidez.

- Luciano, minha bolsa estourou.

- Depois do jogo, Márcia.

- Luciano, minha bolsa estourou!

- Quê!?

- É, será que podemos falar sobre o nome do bebê agora?

- Você está maluca? Vamos já pro hospital. Não é hora de falar sobre isso!




Márcia estava com o bebê no colo. Era um atribulado domingo à noite quando decidiu conversar com Luciano sobre o assunto que a incomodava desde o início da gravidez.

- O Pedrinho é a sua cara.

- Pedrinho?

Márcia não respondeu, oferecendo apenas um olhar ameaçador. Luciano entendeu a mensagem. Aquiesceu com a cabeça e foi acariciar o pequeno Pedro.

1 Comments:

Anonymous Cláudinha Lacerda said...

Tô sempre por aqui, mas não comento. Amei essa crônica em especial. Como mãe, e pelas circunstâncias que conheces, escolhi sozinha o nome do meu Caio.
Ei, tá na hora de começar a juntar esse material e publicar o livro de Silvio Pilau! Serei uma das primeiras na noite de autógrafos.
Bjs,
CláuDinha

3:11 PM  

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