Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Friday, May 29, 2009

UMA NOITE NO MUSEU 2



UMA NOITE NO MUSEU 2 (NIGHT AT THE MUSEUM 2)
De Shawn Levy. Com Ben Stiller, Amy Adams, Robin Williams, Hank Azaria, Owen Wilson, Steve Coogan, Ricky Gervais, Christopher Guest, Jonah Hill, Bill Hader e Alain Chabat.


Não é segredo algum que sequências nada mais são do que meros produtos para acrescentar milhões aos cofres dos estúdios. Afinal, se algo deu certo, por que não explorar mais uma vez? Ocasionalmente, ainda surge uma ou outra continuação com reais ambições artísticas, que busca desenvolver história e personagens e acrescentar algo à obra original, como O Poderoso Chefão 2 ou Antes do Pôr-do-Sol. Na maioria das vezes, porém, elas são apenas reedições do antecessor, realizadas com mais dinheiro, mas sem qualquer inspiração. É o caso, por exemplo, deste Uma Noite no Museu 2.

Escrito por Thomas Lennon e Robert Ben Garant (também roteiristas da produção de 2006), o filme tem início com o ex-guarda noturno Larry Daley exibindo produtos de sua empresa em um programa de televisão. Após largar o emprego no Museu de História Natural de Nova York, Larry se tornou um grande empresário, mas ainda visita seus antigos amigos que voltam à vida durante à noite. Em uma das visitas, descobre que eles serão enviados ao Museu Smithsonian, de Washington. Chegando lá, o pequeno cowboy Jedediah pede a ajuda de Larry, dizendo que o antigo faraó egípcio Kahmenrah quer aproveitar sua nova vida para conquistar o mundo.

O que se vê a partir daí é nada mais do que a fórmula do filme original repetida à exaustão – e, convenhamos, uma fórmula que nem tinha dado tão certo assim. Os roteiristas e o diretor Shawn Levy não demonstram o menor pudor em repetir gags, como a dos tapas nos macacos, e reutilizar truques, como o corte para um plano silencioso após a cena em que Otávio corre pela grama. Na realidade, Uma Noite do Museu 2 apresenta pouquíssimos resquícios de originalidade: durante a maior parte da projeção, o filme não passa de cenas do personagem de Ben Stiller correndo pelo museu enquanto encontra algumas figuras históricas.

De certa forma, isso até traz algum apelo. Esperar pela próxima personalidade que Larry irá conhecer talvez seja a única coisa que realmente salve Uma Noite no Museu 2 de um desastre. O problema é que a imensa maioria desses encontros não são bem aproveitados pelo roteiro, que parece optar pelo mero desfile de efeitos especiais (fantásticos, diga-se de passagem) em detrimento às ideias originais que poderiam sair destes momentos. Além disso, como a quantidade de personagens é imensa, eles não passam de curiosidades, caricaturas, sem jamais se tornarem para o público algo mais do que as próprias figuras de cera que, no filme, realmente são.

Muito disso se deve também ao fraco timing cômico do diretor Shawn Levy para a comédia. O cineasta consegue tornar previsível a maioria das piadas e, mais impressionante ainda, é capaz de estragar as poucas vezes em que elas funcionam. Por exemplo, a rápida participação de Jonah Hill como o guarda que tenta impedir Larry de tocar nos objetos começa divertida, mas estende-se tanto que acaba por cansar. O mesmo vale para a cena na qual Kahmenrah quase tem um ataque ao falar para o protagonista sobre uma linha que ele não pode cruzar: o momento começa divertido, principalmente graças à interpretação de Hank Azaria, mas Levy deixa a cena rolar por tanto tempo que ela chega a ficar irritante.

Azaria, aliás, talvez seja o único membro do elenco que consegue se destacar. O ator diverte-se à beça no papel de um afetado e megalômano faraó egípcio, garantindo a maioria das poucas risadas de Uma Noite no Museu 2. Os demais atores – um incrível grupo de comediantes formado por nomes como Robin Williams, Christopher Guest, Ricky Gervais e o próprio Stiller, entre outros – são desperdiçados pelo fraco material dos roteiristas e pela direção equivocada de Levy, que parecem mais preocupados em criar um espetáculo visual para encher os olhos da criançada do que um filme genuinamente engraçado.

Na verdade, para não dizer que tudo são espinhos, a produção ainda consegue funcionar em uma ou outra piada ocasional. O momento mais inspirado é a referência a 300, de Zack Snyder, quando Jedediah e Otávio atacam com fúria diversos sapatos no meio de uma batalha. É uma sequência divertida e uma homenagem que possui algum sentido, ao contrário da referência ao filme A Rocha, totalmente gratuita. Outra ideia razoavelmente inspirada é a dos quadros ganharem vida, que acrescenta mais uma possibilidade à história, mas também é aproveitada de maneira ineficaz.

Uma Noite do Museu 2 é apenas isso e nada mais. Uma produção boba e nada original, que falha também ao tentar contar uma história – o tratamento dado à trama sobre o protagonista não gostar do que faz, por exemplo, é superficial e risível. Se o primeiro ainda conseguia funcionar por trazer uma ideia nova, esta sequência resulta em uma produção completamente dispensável. Uma Noite no Museu 2 é um filme que não precisava existir.

Nota: 4.0

1 Comments:

Blogger Paula Salomão said...

Eu até queria ver este filme antes de ler o teu post. Agora, acho que não preciso, talvez já tenha conseguido visualizá-lo mentalmente, em meio às repetições a que te referiste.

Adoro o jeito que tu escreve. Parabéns pelo texto!

Beijão

10:59 PM  

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