Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Location: Porto Alegre, RS, Brazil

Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Wednesday, May 13, 2009

O oásis do rock.


O dia já anunciava o que seria a noite. Após muito tempo, a terça-feira trouxe água a Porto Alegre. Como em um presságio, a capital gaúcha assumiu ares britânicos, com o céu nublado e muita chuva. Quase um presente de boas-vindas. Parecia ter se transformado em Londres – ou, mais especificamente, Manchester – para fazer Noel, Liam e o resto do Oasis se sentirem em casa.

E em casa eles se sentiram. Se fosse possível, o Gigantinho lotado abraçaria os irmãos. Provavelmente, eles não retribuiriam, o que não teria importância. Ninguém estava lá para resolver problemas de carência. O objetivo era ouvir música. Ouvir rock n’ roll da melhor qualidade, produzido por aquela que talvez seja a banda de maior talento do gênero nas últimas duas décadas.

O show não foi um espetáculo visual ao estilo Kiss. Não foi uma experiência sobrenatural a la Roger Waters/Pink Floyd. Foi, pura e simplesmente, um desfile poderoso de antigos e novos clássicos acompanhado pelo coro de doze mil vozes que tomava o ginásio. Não obstante a pompa e a fleuma britânica, Noel e Liam pareciam um pouco mais abertos, talvez contagiado pela paixão dos fãs.

Desde a típica abertura com a instrumental Fucking in the Bushes (utilizada no filme Snatch) e, logo em seguida, Rock n’ Roll Star, o público teve a expectativa preenchida. Tudo bem que o Oasis não tocou todos os hits (faltaram Live Forever, Stand By Me, Cast no Shadow, Some Might Say e muitos outros), mas, convenhamos, se fosse assim, o show duraria umas quatro horas.

No entanto, ninguém teve motivos para reclamar. Os ouvidos de quem estava lá foram agraciados com interpretações de Supersonic, Wonderwall, Champagne Supernova, The Importance of Being Idle e, claro, a belíssima performance de Don’t Look Back in Anger, com Noel fazendo quase um semiacústico com o público. Junto, versões de músicas do último álbum, Dig Out Your Soul, como as ótimas Falling Down, The Shock of Lightning e I’m Outta Time.

Após a catarse final de I Am the Walrus, a banda se despediu, sob aplausos entusiasmados e reverentes. Quem foi ao Gigantinho sabia que presenciava um momento histórico – nunca se sabe como uma banda como o Oasis voltará. Após, o que ficou não foi a frieza e a postura inclinada de Liam ou o talento para as baladas de Noel. O que o público levou para casa foi a honra de ter presenciado uma noite do mais básico rock n’ roll. Uma noite de liberdade e de purificação.

Uma noite que até a chuva, ao invés de estragar, acabou contribuindo.

1 Comments:

Blogger Paula Salomão said...

Ah, eu estive pertinho deles!

http://cronicasdefolhetim.blogspot.com/2009/05/oasis.html

hehehe

Beijão, Sílvio!

7:14 PM  

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