Viagem Literária

Apenas uma maneira de despejar em algum lugar todas aquelas palavras que teimam em continuar saindo de mim diariamente.

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Location: Porto Alegre, RS, Brazil

Um gaúcho pacato, bem-humorado e que curte escrever algumas bobagens e algumas coisas sérias de vez em quando. Devorador voraz de livros e cinéfilo assumido. O resto não interessa, ao menos por enquanto.

Monday, December 01, 2008

MAX PAYNE


MAX PAYNE
De John Moore. Com Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris O’Donnell, Olga Kurylenko e Amaury Nolasco.


O cinema norte-americano ainda não descobriu a fórmula para realizar uma adaptação decente de um jogo de videogame. Após incontáveis tentativas, o subgênero até consegue arrecadar alguns bons milhões nas bilheterias, mas ainda peca em termos de qualidade. Ao contrário do que acontece com as transposições de histórias em quadrinhos, os filmes baseados em games ainda cometem erros básicos, atendo-se demais ao visual e à ação e deixando de lado o verdadeiro núcleo de uma boa história: a jornada dos personagens.

Max Payne é o mais recente exemplo dessa lista. Inspirado em um jogo de grande sucesso, o filme conta a história de detetive que dá título à obra. Payne, amargurado pelo assassinato de sua esposa e filho três anos antes, volta a investigar o caso após descobrir novas informações. Em uma série de eventos, o detetive é acusado pelo homicídio do ex-parceiro, enquanto tenta se aprofundar no caso do assassinato de sua mulher, que pode ou não ter a ver com questões sobrenaturais.

Dirigido pelo medíocre John Moore (O Vôo da Fênix), Max Payne sofre de um dos maiores males do cinema norte-americano: o de privilegiar a ação e o visual em detrimento do conteúdo. O aspecto técnico da produção é inegável. A fotografia de Jonathan Sela, que por vezes lembra a adotada por Robert Rodriguez em Sin City, captura com perfeição o lado sombrio, que se propunha (acredito eu) a assumir um tom noir. Enquanto isso, os efeitos especiais igualmente impressionam e algumas cenas de ação são filmadas com certa inventividade.

No entanto, as qualidades de Max Payne param por aí. O filme é terrivelmente falho no que concerne roteiro e personagens, tornando todo este apuro técnico um mero exercício de estilo, sem qualquer acréscimo ao que a obra transmite. O roteiro de Beau Thorne exibe preguiça ao apelar sem pudor a todos os clichês do gênero, inclusive o mais do que manjado momento no qual o vilão revela tudo ao mocinho para depois falhar em matá-lo (acreditem, não estou entregando nada de importante).

Além disso, o roteiro não apresenta qualquer espécie de surpresa. Desde os primeiros quinze minutos é possível prever todas as reviravoltas da trama, ainda que elas não façam qualquer sentido (por que matar o bebê, por exemplo)? O desenvolvimento do enredo é igualmente precário, especialmente no que diz respeito às descobertas de Payne. Elas simplesmente vão acontecendo, sem qualquer motivo para isso. Em determinado instante, ele vai atrás de um executivo de uma indústria farmacêutica pelo simples fato de o cara implicar constantemente com sua esposa (ou, ao menos, foi isso o que deu pra entender). Claro que sua intuição estava certa e o homem sabia de tudo o que estava acontecendo.

O mesmo vale em relação ao desenvolvimento dos personagens. Payne tem o trauma do passado com o qual precisa lidar, mas o espectador jamais entende a dor pela qual ele passa. O motivo não recai tanto sobre os ombros de Mark Wahlberg (em sua segunda bomba no ano, após Fim dos Tempos), mas no roteiro e na direção, que jamais apresentam o resultado disso. Os outros personagens, claro, são meras figuras decorativas, como Mona, que simplesmente não tem qualquer função na trama, e BB, interpretado de maneira vergonhosa por Beau Bridges.

Max Payne vem para ser apenas mais uma no rol das adaptações que ficaram aquém da qualidade dos jogos em que foram baseadas. É um filme que jamais faz com que o espectador se identifique com os personagens, tornando o elaborado visual e as cenas de ação um tédio sem fim. Hollywood continua devendo, e muito, ao mundo dos games.

Nota: 4.0

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Thursday, November 27, 2008

KUNG FU PANDA



Kung Fu Panda
EUA, 2008
Grande sucesso de bilheteria, Kung Fu Panda é a mais nova animação capaz de agradar adultos e crianças. Os pequenos vão adorar o colorido e os personagens, enquanto os mais velhos certamente se divertirão com as boas piadas e as inspiradas cenas de ação. Estas, aliás, são o grande destaque, por serem bastante inventivas e empolgantes. O roteiro traz a óbvia lição de moral e algumas piadas acabam se repetindo (especialmente as que envolvem o excesso de peso do protagonista), mas Kung Fu Panda é divertido o suficiente para justificar uma espiada – e a produção da inevitável seqüência.
Nota: 7.0

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APENAS UMA VEZ


Apenas Uma Vez (Once)
Irlanda, 2006
Esta pequena produção vencedora do Oscar de melhor canção em 2008 é um dos mais belos contos de amor a chegar aos cinemas nos últimos anos. De forma quase documental, o diretor John Carney apresenta a história de um músico de rua irlandês se apaixonando por uma imigrante tcheca. Sensível e tocante, Apenas Uma Vez captura de forma mágica a aproximação entre os dois através da música, realmente trazendo o espectador para o coração dos personagens. Além disso, a trilha é marcante e o roteiro evita os clichês. O que fica é uma declaração sobre o poder da música e sobre as dificuldades do amor.
Nota: 8.0

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AGENTE 86


Agente 86 (Get Smart!)
EUA, 2008
A versão para os cinemas da antiga série de TV tem a capacidade de arrancar gargalhadas do público. Muito disso se deve ao genial Steve Carell, novamente demonstrando seu impecável timing cômico em cenas hilárias e ofuscando o resto do elenco. Assim, Agente 86 torna-se filme de um homem só, e sempre que Carell sai de cena, a produção perde sua força. Além disso, o diretor Peter Segal erra ao privilegiar a ação no lugar do riso no terceiro ato, desperdiçando a oportunidade de criar uma das grandes comédias dos últimos anos. Maxwell Smart merece uma continuação.
Nota: 6.5

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HORTON E O MUNDO DOS QUEM


Horton e o Mundo dos Quem (Horton Hears a Who!)
EUA, 2008
Por mais que se tente, são poucos os esforços no campo da animação que conseguem chegar ao nível do que é produzido pela Pixar, estúdio responsável por obras-primas como Os Incríveis e Wall-E. Este Horton e o Mundo dos Quem é apenas mais um desenho, sem oferecer nada de muito original. Baseado em um livro do Dr. Seuss, o filme tem como grande destaque as dublagens inspiradas de Jim Carrey e Steve Carell, além de algumas piadas que funcionam e boa dose de criatividade visual. Por outro lado, o ritmo é irregular e história segue uma fórmula óbvia, inclusive com a obrigatória lição de moral. Mais recomendado para crianças do que adultos.
Nota: 6.0

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Friday, November 21, 2008

CLUBE DA LUTA


CLUBE DA LUTA (FIGHT CLUB)
De David Fincher. Com Brad Pitt, Edward Norton, Helena Bonhan-Carter, Jared Leto e Meat Loaf.

"Nada mais importante para chamar a atenção sobre uma verdade
do que exagerá-la.”
Antônio Candido, na obra Literatura e Sociedade.

“Se você quer que as pessoas o ouçam, não se pode mais apenas
dar-lhes um tapinha nas costas. É preciso acertá-las com
uma marreta.”
John Doe, personagem de Kevin Spacey em Seven – Os Sete Crimes
Capitais.

ATENÇÃO: ESTA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS. RECOMENDA-SE A LEITURA APENAS A QUEM JÁ ASSISTIU AO FILME.

Ao contrário do que muitos imaginam, é difícil a um crítico de cinema apontar um filme como favorito. O relacionamento destes profissionais com a Sétima Arte é, inevitavelmente, diferente daquele de boa parte das pessoas. Os críticos gostam, sim, de menos filmes do que a grande maioria. Porém, por mais que tenham a fama de rabugentos e metidos a intelectuais sem gosto popular, quando uma determinada obra cai no seu gosto, a adoração a ela é incrivelmente maior, exatamente pelo fato do crítico compreender o que a faz grande e as dificuldades envolvidas para atingir tal qualidade artística.

Pois, mesmo não sendo um crítico, somente um cinéfilo que gosta de tecer opiniões, ouso afirmar que Clube da Luta é meu filme favorito. Provavelmente não seja a melhor obra já produzida nestes pouco mais de cem anos de Cinema, mas é a que mais admiro e que mais impacto teve em minha vida. Aqui, pretendo explicar as razões que me levam a colocar Clube da Luta acima de incontáveis outras obras-primas, em um texto que consiga fazer jus ao filme mais importante dos anos 90 e uma das maiores conquistas cinematográficas que já tive a oportunidade de assistir.

Dirigido por David Fincher e com roteiro de Jim Uhls, Clube da Luta é baseado em um livro de Chuck Palahniuk, atualmente um dos mais cultuados escritores da literatura underground norte-americana. Para quem não conhece, a história começa com um investigador de seguros sem nome interpretado por Edward Norton (que chamarei de Narrador a partir de agora), sofrendo de insônia e cansaço em meio a suas incontáveis viagens. Certa vez, conhece no avião um vendedor de sabonetes chamado Tyler Durden (Brad Pitt), com o qual vai morar após uma explosão em seu apartamento. Tyler é tudo aquilo que o narrador não é: vivaz, divertido, corajoso, bacana. Junto a Tyler, o narrador acaba fundando um clube da luta, onde homens põem todas as suas insatisfações para fora brigando entre si. Em pouco tempo, o clube cresce, ganhando novos adeptos e fugindo do controle do seu criador.

Claro que esta é apenas uma definição básica da história concebida por Palahniuk e contada, em película, por Fincher. Clube da Luta é muito mais do que apenas um grupo de caras dando porrada uns nos outros – ainda que algumas pessoas ainda teimem em enxergá-lo desta forma. Repleta de camadas e possíveis interpretações, a obra propõe profundas reflexões sobre a maneira como vivemos nossas vidas e a forma como nos relacionamos com os outros em um mundo moderno dominado por conquistas materiais. Quem ficar apenas na primeira camada, a dos socos e dentes quebrados, pode interpretar erroneamente o filme como uma apologia à violência e ao fascismo. Quem estiver disposto a pensar e refletir, pode ter sua vida mudada.

Na realidade, esta inteligência mascarada foi um dos dois motivos para o fracasso de Clube da Luta na época de seu lançamento, pois foi vendido erroneamente ao público. Com o rosto de um dos mais populares astros hollywoodianos no cartaz, a platéia esperava mais uma produção de fácil digestão, presa a fórmulas batidas para potencializar o apelo de Pitt. A surpresa foi encontrar um filme sujo, incômodo, repleto de nuances que podem passar despercebidos na primeira vez que se assiste. Clube da Luta é uma daquelas obras que crescem exponencialmente a cada visita, onde se percebe o cuidado de Fincher e Uhls em construir uma história impecável em seus detalhes.

O primeiro grande acerto do diretor e do roteirista é ser fiel ao texto de Palahniuk, porém realizando as modificações necessárias para a obra funcionar. Diversos momentos e diálogos do filme são retirados ipsis literis do livro, mantendo vivo o espírito e a mensagem. Ao mesmo tempo, com a consciência de se tratar de mídias distintas, outros são modificados sem pudor, a grande maioria ganhando em alcance e impacto com os recursos cinematográficos. Assim, mantendo o tom ácido e a essência do trabalho de Palahniuk, e potencializando-os com artifícios visuais e a força da imagem, Fincher expande a capacidade da já perturbadora e fascinante obra literária, construindo uma verdadeira obra-prima cinematográfica.

Um dos principais exemplos para ilustrar a maneira como Fincher utiliza os recursos visuais em prol da história é a própria condição de insônia do protagonista. Enquanto no livro isso não passava de informação, a obra audiovisual realmente é capaz de transmitir a sensação de languidez em suas primeiras cenas, seja no rosto cansado de Edward Norton, em sua narração arrastada ou no tom monocromático adotado por Fincher para a fotografia. Assim, os momentos iniciais de Clube da Luta passam de maneira perfeita o estado emocional do protagonista, preso em uma vida sem qualquer espécie de altos e baixos.

Mas não é só isso. Fincher, um diretor reconhecido por sua virtuosidade técnica, também utiliza recursos visuais de forma a soltar diversas “dicas” a respeito da revelação final de Clube da Luta. Este, aliás, é um dos grandes motivos para se assistir o filme mais de uma vez: é divertido acompanhar as brincadeiras realizadas pelo diretor e perceber como estava tudo na cara da platéia desde o início. Estas dicas começam já nos créditos iniciais. Para quem não lembra, o filme parte de uma viagem por neurônios e sinapses antes de chegar à primeira cena. É, de certa forma, o primeiro indício de que a história que veremos se passa dentro do cérebro do protagonista.

E os truques de Fincher neste sentido continuam por toda a obra. Em quatro momentos, por exemplo, o cineasta apresenta rápidos inserts da figura de Tyler, antes mesmo da cena em que ambos se conhecem no avião. As duas primeiras ocorrem no consultório médico, quando o narrador fala sobre a insônia, e no grupo de apoio. Mais adiante, Tyler aparece em um comercial de TV e no aeroporto, no exato momento em que o narrador diz: “Se eu pudesse acordar em um lugar e uma hora diferentes, poderia ser uma pessoa diferente?”

De certa forma, a intenção de Fincher com as aparições de Tyler é mostrar esta segunda personalidade ganhando forma na mente do narrador. As próprias cenas nas quais elas ocorrem não são aleatórias, mas selecionadas a dedo, pois são momentos nos quais ou o narrador demonstra as dificuldades pelas quais passa ou transmite o desejo de ser outra pessoa. Assim, quando Tyler realmente parece pela primeira vez, o espectador não sabe quem ele é, mas existe uma leve noção de que o personagem já é conhecido – como uma variação da própria pessoa do narrador. Uma mensagem subliminar que é uma trapaça, mas uma trapaça deliciosa e que funciona.

As pistas deixadas por Fincher, porém, não se resumem a isso. Elas estão presentes durante todo o filme, como no fato de Tyler e o Narrador jamais interagirem com uma terceira pessoa ao mesmo tempo, nas reações de alguns personagens (como os Macacos Espaciais, quando o Narrador pergunta por que pintaram o prédio, e todas as cenas de Marla) e, principalmente, nos diálogos. Alguns exemplos: “As palavras de Tyler saindo da minha boca”, após uma discussão do Narrador com o chefe; “Por algum motivo, pensei em minha primeira briga com Tyler”, após bater em si mesmo; “Tyler é meu pesadelo ou eu sou o dele?”; apenas para citar alguns. São incontáveis momentos nos quais Fincher dá dicas do que está para acontecer.

Este artifício, aliás, acaba com qualquer possibilidade de que a reviravolta assuma um tom de sacanagem, como se Fincher apelasse para alucinações de forma a encerrar uma história sem final. Na realidade, a revelação amarra de maneira impecável não somente a própria estrutura da trama como também a mensagem que o filme pretende transmitir: a de que não somos quem gostaríamos ou esperávamos ser. Como diz Tyler naquele que é o discurso-essência da obra: “Fomos criados pela televisão acreditando que um dia seríamos astros do cinema, estrelas do rock ou milionários. Mas não seremos. E estamos muito, muito, furiosos”.

As palavras de Tyler são um despertar, tanto para os personagens quanto para o espectador. São frases duras, que não hesitam em apontar a frustração existencial do homem no final do século passado – e hoje ainda. Uma geração inteira que trabalha “em empregos que odeia para comprar coisas que não precisa”, decepcionada com suas próprias jornadas e acomodada a tal ponto de nada mais sentirem. São pessoas que sobrevivem ao invés de viver e que há muito já aceitaram que não alcançarão seus sonhos de infância e não verão realizadas as promessas que um dia lhe foram feitas. Como conseqüência, vivem uma vida anestesiada, onde cada novo dia é um verdadeiro sacrifício. Uma geração que encontra dificuldades em sentir-se viva.

Eis que surge o clube da luta. Porém, a intenção do clube não é quebrar a cara de outro como forma de liberar esta frustração contida. Bem ao contrário, o objetivo não é bater, mas apanhar. Clube da Luta é sobre sentir-se vivo, sobre ter cicatrizes, sobre novamente voltar a sentir algo. A violência na obra não passa de uma metáfora. As lutas são um artifício para os personagens descobrirem que ainda possuem sangue nas veias. Que não são apenas “o dinheiro que têm no banco ou as roupas que vestem”, mas seres humanos de verdade. O objetivo de Tyler é esse acordar. É preciso aceitar a dor, e não sempre tentar evitá-la. Em outras palavras, aceitar a vida, com todas as suas dificuldades, e não ter medo de encará-la de frente.

A noção de que Clube da Luta é sobre apanhar ao invés de bater fica clara em diversos momentos da obra. Além dos diálogos (“Só depois de perder tudo é que você será livre para fazer o que quiser”), há um momento crucial que corrobora tal visão. Este acontece na primeira briga entre Tyler e o narrador, no estacionamento do bar. Fincher dirige a cena com precisão cirúrgica, capturando com brilhantismo todo o aspecto bizarro da situação. A grande revelação ocorre no momento em que Tyler dá um soco no Narrador. No exato instante, ouve-se sons de batimentos cardíacos. Reparem como, antes, quando quem desfere a porrada é o Narrador, nada acontece. Quando o Narrador recebe o soco, escuta-se um coração batendo.

É um detalhe, um artifício sutil, mas um fato que corrobora a idéia de como Clube da Luta não é sobre bater, mas sobre entregar-se para se sentir vivo. Ao apanhar, ao perceber que a sua vidinha correta e asséptica não mais está sob seu controle, o Narrador descobre que tudo aquilo que julgava essencial não é necessário para a sua vida. Descobre que vivia por futilidade, pela idéia vazia de consumismo, que estava sendo dominado pelo que julgava primordial. Como diz Tyler, em uma das frases-chave de toda a obra: “As coisas que você possui acabam possuindo você”. Ao sentir o soco no estômago, o Narrador se dá conta de que não é especial como acreditava e que possui as rédeas de sua própria vida.

Neste ponto, volto à análise sobre a revelação final de Clube da Luta. Ainda que julgada como solução fácil por muitos, a idéia de que Tyler e o Narrador são a mesma pessoa não somente é perfeita, mas forma a base de toda a estrutura da obra. Tyler somente existe porque o Narrador estava insatisfeito com sua própria vida, ainda que não o soubesse. “Eu sou livre de todas as formas que você não é”, diz Tyler. Todas as amarras do Narrador, suas restrições sociais, seu consumismo, sua necessidade de viver a vida que todos esperam, acabaram criando um amigo imaginário que é o verdadeiro oposto disso: Tyler é estiloso, anarquista, divertido, inteligente. Tyler é quem o Narrador gostaria de ser.

Tal contraponto entre os dois personagens funciona de forma impecável graças, principalmente, a Edward Norton e Brad Pitt. Os dois atores assumem completamente seus papéis, compreendo a proposta provocadora da história. Assim, o Narrador e Tyler são interpretados sempre no limite do caricato, caminhando sobre a tênue linha que separa o exagero da sátira. Pitt já provou que, quando sob o comando de um bom diretor, pode ser um grande ator, e Tyler Durden é o papel da sua vida. O astro constrói um dos personagens mais icônicos das últimas décadas, combinando estilo, niilismo e divertindo-se (e ao espectador) à beça.

Enquanto isso, Norton, indiscutivelmente um dos grandes atores recentes do cinema americano, tem o papel mais difícil, pois seu personagem passa por várias transformações ao longo do filme. O ator consegue transmitir isso sem jamais perder o bom humor e o timing cômico de sua composição, tornando-se o verdadeiro centro narrativo de Clube da Luta. Desde sua narração monocórdia até a fúria liberada em uma de suas lutas, Norton abraça o papel como se estivesse representando não somente um personagem, mas toda uma geração – e o fato de seu personagem não ter nome pode ser uma prova de que Fincher realmente tinha a intenção de dar essa responsabilidade ao protagonista. O Narrador é o sr. X, um representante qualquer da massa amorfa representada no filme e da qual todos nós fazemos parte.

E, já que falei no bom humor muito bem defendido por Norton e Pitt, vale afirmar que Clube da Luta é, acima de tudo, uma sátira. Ou seja, ainda que fale sobre um tema realmente difícil de lidar, Fincher apresenta tais cicatrizes do homem moderno de forma, se não leve, descontraída. Ou seja, o roteiro e a direção são inteligentes o bastante para não realizar um filme expositivo demais para transmitir sua mensagem, colocando-a dentro de uma história maluca que, muitas vezes, mostra o contrário do que quer dizer para que o espectador possa tirar as suas próprias conclusões.

Para que isso seja alcançado, é fundamental um diretor hábil, com completo domínio não somente da técnica, mas dos recursos dramáticos. David Fincher já provou ser capaz disso. Maior que a sua ousadia em assumir um projeto tão arriscado quanto Clube da Luta é a sua capacidade em contar uma história como essa. Fincher se mantém fiel à obra na qual o filme é baseado: um livro extremamente ágil, com frases curtas, parágrafos e capítulos pequenos. O cineasta transmite esta sensação com seu estilo visual e uma edição cinética, sempre com movimentos de câmera ousados e cortes rápidos.

Cada cena parece pensada ao máximo antes de ser executada: assim, não é por acaso que sentimos algo de surreal quando o Narrador conversa com Tyler no porão e Marla ao mesmo tempo, assim como não é acidente a languidez dos momentos iniciais do filme, representando a insônia do protagonista. Tudo é realizado dentro dos objetivos de Fincher, com as cenas adquirindo significados, construindo uma narrativa impecável, que cresce em urgência e que carrega o espectador num piscar de olhos até o final.

E sua técnica irrepreensível vale também para as cenas de luta. Esqueçam as brigas coreografadas e limpas que estamos acostumados a ver no cinema. Em Clube da Luta, os embates são crus, viscerais e realistas. O sangue é escuro, o som dos socos são secos e os golpes são desajeitados, típicos de quem nunca lutou na vida. A violência é, sim, forte, mas está lá para cumprir um objetivo. Ela faz parte da mensagem de Fincher sobre ir ao fundo do poço, sobre como “somente depois de perder tudo é que você consegue fazer qualquer coisa”. A utilização da violência é o modo de Fincher “exagerar sobre a verdade” para realmente chamar a atenção. Afinal, o que é mais perturbador: assistir socos na cara ou ouvir alguém dizer que sua vida não vale nada?

Há ainda, dois pontos importantes a serem analisados dentro do contexto de Clube da Luta: os grupos de apoio e Marla. Em relação ao primeiro, é importante refletir, pois ilustra a condição do protagonista antes de “conhecer” Tyler. Até então, o Narrador tentava preencher sua vida com coisas sem sentido, não entendendo de onde vinha o seu vazio – e, conseqüentemente, sua insônia. Nos grupos de apoio, entrando em contato com aquele tipo de sofrimento e honestidade, ele começou a sentir valorizado, seja por ver outras pessoas em situações piores que a sua, em uma espécie de catarse, seja pelo fato de se sentir importante e valorizado com a atenção que elas oferecem.

Enquanto isso, Marla funciona como o verdadeiro catalisador da história. É como o Narrador diz nos primeiros segundos do filme: “Tudo tem a ver com uma garota chamada Marla”. Tyler só aparece de fato após ele conhecer Marla. É possível interpretar que o alter-ego só ganhou vida por causa dela. Foi para impressionar Marla, para poder conquistá-la, que o Narrador criou uma segunda personalidade na qual teria a confiança necessária para poder ter um caso com Marla. Se alguém quiser ir mais longe, pode inclusive afirmar que Clube da Luta é uma história de amor, girando em torno do relacionamento entre o Narrador e Marla.

Uma das principais críticas feitas ao filme é que ele se perde em seu terceiro ato, quando da criação do Projeto Caos. Tal ponto de vista é equivocado, uma vez que o Projeto é a evolução natural da história. A idéia por trás dele não é tanto causar o caos na sociedade quanto o de fazer as pessoas perceberem como suas vidas são vazias. O projeto é uma espécie de evolução do clube da luta, mas, ao invés de despertar cada indivíduo para a vida, a intenção é acordar a civilização inteira do estado de anestesia em que se encontra. O que o clube fazia por cada membro, o Projeto faria para a sociedade como um todo.

Clube da Luta é tudo isso e um pouco mais. É um retrato mordaz de uma existência cada vez mais insuficiente, resultado de um mundo que tenta reprimir tudo aquilo que faz do ser humano o animal único que é. Fincher, assim como Palahniuk no livro, não faz isso com palavras e imagens gentis, mas através de metáforas poderosas e perturbadoras. Quem quiser assistir Clube da Luta sem refletir sobre tudo o que ele representa, apenas se divertindo com o bom humor e as cenas incrivelmente bem filmadas, certamente irá gostar da obra. Porém, deixará de compreender a significância de um dos filmes mais importantes das últimas décadas.

A sensação que fica após assistir Clube da Luta é a de que estivemos no porão de algum bar brigando com o próprio David Fincher. Tal qual os personagens, apanhamos e saímos exaustos, mas adquirimos uma nova consciência sobre nossas vidas e sobre o que realmente é importante.

Quantos filmes são capazes de fazer isso?

“Sua cabeça vai surtar,
Mas não há nada lá dentro
E você vai se perguntar:
Onde está minha mente?”

Trecho da música “Where’s my Mind”, do Pixies, ouvida ao
final de Clube da Luta.

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Wednesday, November 19, 2008

007 - QUANTUM OF SOLACE


007 – QUANTUM OF SOLACE (QUANTUM OF SOLACE)
De Marc Forster. Com Daniel Craig, Mathieu Almaric, Olga Kurylenko, Judi Dench, Gemma Atherton, Giancarlo Giannini e Jeffrey Wright.

Após décadas sendo fiel à mesma fórmula, a série 007 entrou em um novo momento em 2006, quando os produtores decidiram partir do zero e reinventar completamente o personagem. Claramente influenciada pela trilogia Bourne, a franquia apostou, em Cassino Royale, em uma trama mais realista e violenta, além de transformar o herói intocável James Bond em um espião de carne e osso, repleto de falhas. O resultado foi um dos melhores filmes – se não o melhor – e a maior bilheteria mundial de toda a história da série.

007 – Quantum of Solace é uma continuação direta da produção anterior, começando poucos minutos após o encerramento de Cassino Royale. Agora, Bond, ainda sofrendo pela morte de Vésper, toma conhecimento de uma organização poderosíssima chamada Quantum, que não apenas esteve por trás dos acontecimentos do primeiro filme, como também possui interesses obscuros em um golpe de estado na Bolívia. Enquanto busca sua vingança, o agente une-se à bela Camille para se aproximar de Dominic Greene, um dos líderes da Quantum.

Desta vez, quem assume o comando do navio é Marc Forster, cineasta tão talentoso quanto versátil, responsável por produções com temáticas distintas como A Passagem, Em Busca da Terra do Nunca e O Caçador de Pipas. Arriscando pela primeira vez no gênero ação, Forster demonstra novamente sua capacidade, entregando um filme ágil e eficiente, ainda que possua sua parcela de problemas. Quantum of Solace é uma produção que funciona sozinha, mas perde quando comparada à aventura anterior dirigida por Martin Campbell.

A grande surpresa fica por conta das ótimas cenas de ação. Em momento algum, Forster demonstra inexperiência no assunto, criando momentos intensos e que exploram o caráter bruto do novo James Bond. A escolha em utilizar cortes rápidos e tomadas com a câmera na mão pode ser perigosa, mas em Quantum of Solace a opção realmente funciona de forma a aumentar a tensão e refletir a urgência das situações – algo semelhante ao que Paul Greengrass fez nas duas últimas produções de Jason Bourne. Como resultado, é impossível não grudar as unhas nas poltronas do cinema na perseguição de Bond pelos telhados ou aplaudir a excelente seqüência passada na ópera.

Além disso, Forster imprime um ritmo verdadeiramente intenso a Quantum of Solace. Quando não está correndo, dirigindo ou explodindo coisas, Bond está conseguindo novas informações que fazem a trama andar. Deste modo, a história nunca fica parada. Não há um mero momento de descanso ou tédio no filme. Pelo contrário, o espectador é jogado de uma cena de ação para a outra sem tempo para respirar, tendo que ficar atento para não se perder no desenvolvimento do enredo.

Este, porém, não é tão elaborado quanto em Cassino Royale. Escrito pelos mesmos Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade, o roteiro de Quantum of Solace não reserva grandes surpresas e é simples em seu desenvolvimento, optando por não explicar muito sobre a Quantum – o que provavelmente será realizado no(s) próximo(s) filme(s). Esta opção, aliás, resulta em um momento tanto arriscado como estranho, quando Forster opta por não mostrar o interrogatório de Bond com um dos vilões, quando ele revela informações sobre a organização. É, de certa forma, uma sacanagem com o espectador, pois os personagens terminam o filme sabendo mais sobre a Quantum do que a platéia.

O roteiro peca também no desenvolvimento do personagem. Ainda que Daniel Craig continue perfeito no papel, combinando o aspecto irascível e frio com certa vulnerabilidade emocional, a trama de Quantum of Solace não acrescenta muito ao novo Bond. Há, claro, a questão da busca pela vingança e do ressentimento pelo que aconteceu com Vesper, mas isso é apenas mencionado por outros personagens três ou quatro vezes, sem qualquer reflexo efetivo no personagem. Bond continua muito mais humano e falível do que em obras anteriores – agindo por impulso, errando com freqüência e sempre prestes a explodir –, mas essa percepção ainda é resquício do que conhecemos no filme anterior. Quantum of Solace não leva o personagem adiante.

O mesmo vale em relação aos outros personagens. O roteiro ainda tenta trazer uma história de fundo para Camille, mas essa é tão clichê que só resta mesmo se impressionar com a beleza de Olga Kurylenko. Enquanto isso, Mathieu Almaric não tem muito sobre o que trabalhar, uma vez que o desenvolvimento do seu personagem é fraco, e a também bela Gemma Aterton é um artifício totalmente dispensável à trama: sua presença existe unicamente para ir para a cama com Bond e para uma interessante (e atualizada) homenagem a 007 Contra Goldfinger.

Por outro lado, Quantum of Solace acerta ao dar um passo à frente na construção do relacionamento entre Bond e M, algo que já havia sido “anunciado” em Cassino Royale. Como é dito no próprio filme em certo momento, a dinâmica entre os dois é quase de mãe e filho. M recrimina Bond, ele não dá a menor bola e os dois continuam se amando como antes. A relação entre eles resulta em alguns dos melhores momentos de Quantum of Solace – e não deixa de ser interessante ver uma personagem hermética como M em casa passando creme no rosto.

Abordando ainda um contexto político sobre o petróleo e o papel dos EUA nos regimes ditatoriais sul-americanos, Quantum of Solace é um filme com seus próprios méritos, mas pálido em comparação ao seu antecessor. Possui bons diálogos, cenas de ação bem realizadas e um ótimo protagonista, mas nada acrescenta ao que havia sido apresentado dois anos atrás. Se Cassino Royale foi uma revolução na série, a nova produção não passa de simplesmente mais um – ainda que eficiente – exemplar.

Nota: 7.0

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Monday, November 17, 2008

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO


Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead)
EUA, 2007
Sidney Lumet mostra que ainda tem muito a oferecer com esta história sobre crime, culpa e família. Com tema semelhante a O Sonho de Cassandra, de Woody Allen, o filme apresenta irmãos tendo que lidar conseqüências de seus erros. Os personagens são bem construídos, mas as atuações são inconstantes. Se Phillip Seymour Hoffman brilha, Ethan Hawke exagera nos trejeitos, impedindo mais compreensão de sua angústia. Sobre um bom roteiro, Lumet cria clima de tensão, mas comete deslizes, como a desnecessária quebra da cronologia. Ainda assim, um interessantíssimo trabalho do veterano cineasta.

Nota: 7.0

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ÚLTIMA PARADA 174

Brasil, 2008
De forma crua e realista, Bruno Barreto apresenta a história de Sandro Nascimento, responsável por uma das repercutidas tragédias recentes no Brasil, o seqüestrado do ônibus 174. Bem dirigido, Última Parada 174 transmite com eficácia a falta de perspectiva do protagonista, simbolizando boa parte da sociedade brasileira. Para Barreto, Sandro também é uma vítima e suas ações são resultado de um país que o abandonou. A desmistificação do bandido pode gerar polêmica, mas é válida por gerar discussão. Infelizmente, o filme perde ao criar personagens e coincidências que não coadunam com o tom realista, e o clímax passado no ônibus é decepcionante.
Nota: 7.0

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Monday, November 10, 2008

ROCKNROLLA


RocknRolla - A Grande Roubada (RocknRolla)
Inglaterra/EUA, 2008
Realizador dos excelentes Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch – Porcos e Diamantes, Guy Ritchie sumiu depois da bobagem Destino Insólito. Este RocknRolla é o seu retorno à forma. Ainda que a trama não seja tão inventiva e os personagens tão carismáticos quanto nos seus primeiros filmes, a produção é bem amarrada e conduzida, mantendo a fórmula de tramas paralelas. Novamente, os truques de câmera e edição são destaque, garantindo agilidade à narrativa, e o bom humor é constante, apesar de mais contido. O cineasta já fez melhor, mas RocknRolla é um filme divertido e interessante.
Nota: 7.0

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QUEBRANDO A BANCA


Quebrando a Banca (21)
EUA, 2008
Supostamente baseado em uma história real, Quebrando a Banca tem um ponto de partida interessante, mas derrapa no roteiro e nos clichês. Para se ter uma idéia, o espectador jamais entende como funciona o golpe dado pelos estudantes nos cassinos. Além disso, a estrutura é previsível, tanto o arco dramático do personagem principal quanto o insosso romance. Por outro lado, Quebrando a Banca tem alguns bons momentos e boas atuações, com o carisma de Jim Sturgess, a sempre ótima presença de Kevin Spacey e a beleza de Kate Bosworth. Não merece recomendação, mas está longe de ser um desastre.
Nota: 5.5

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Monday, November 03, 2008

LINHA DE PASSE


Linha de Passe
Brasil, 2008
O mais recente trabalho de Walter Salles e Daniela Thomas é um filme digno de admiração, mas difícil de gostar. Os cineastas acertam no desenvolvimento dos personagens, construindo pessoas que poderiam existir – e certamente existem – fora das telas. Além disso, o elenco impecável colabora para a identificação entre personagens e público, o que transmite com eficiência a realidade daquelas pessoas. No entanto, a narrativa é arrastada e repetitiva, e algumas das lições de moral presentes na obra soam forçadas. Linha de Passe é mais um bom filme de Salles, mas não o melhor.
Nota: 6.5

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UM BEIJO ROUBADO


Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights)
Hong Kong/França/EUA, 2007
Primeiro trabalho em língua inglesa do consagrado Wong Kar-Wai, Um Beijo Roubado é um filme adorável e gostoso de se assistir. Ainda que a estrutura de um romance sem romance cause estranheza, a direção se destaca ao evitar clichês e construir um road movie com poucas características de um. O ritmo é lento, as interpretações são sutis e os personagens críveis, ainda que tenham pouco tempo em tela. O entra-e-sai de pessoas acaba quebrando um pouco a narrativa, mas Um Beijo Roubado é uma boa e diferenciada opção para quem está cansado de assistir às mesmas fórmulas de sempre.
Nota: 7.0

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AS CRÔNICAS DE SPIDERWICK


As Crônicas de Spiderwick (The Spiderwick Chronicles)
EUA, 2008
As Crônicas de Spiderwick
nada mais é do que outra produção que tenta pegar carona no recente sucesso de filmes de fantasia, como O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia e Harry Potter. De certa forma, é até bem-sucedido. O trabalho de Mark Waters, baseado em uma série literária, é divertido e possui boa parcela de imaginação, enquanto as atuações de Freddie Highmore e da sempre ótima Mary-Louise Parker colocam um pouco de sentimento na história. Ainda assim, é um filme bastante infantil e rápido, sem a tentativa de tornar o mundo fantástico mais crível, além de apelar para cenas de correria e ação sem muita graça.
Nota: 6.0

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